A Audiência da F1 de 2026 foi motivo de comemoração para a Globo. Mas existe uma matemática simples que a mídia ignorou: o público qualificado da categoria é praticamente o mesmo de sempre. Entenda o que os números escondem.

A matemática que a mídia esqueceu de fazer
Antes de mais nada, é preciso entender o que esses pontos de audiência realmente significam — porque sem contexto, número é só enfeite.
No GP da Austrália, a Globo marcou 6,34 pontos em São Paulo. No GP do Japão, 5,3 pontos. Parece impressionante. E a mídia — especialmente a Globo, é claro — tratou como se fosse uma explosão de interesse pela categoria.
Agora vem a parte que ninguém conta: a Globo na madrugada já entrega em média 3,5 pontos com qualquer coisa que coloque no ar. BBB, Corujão, reprise de novela. Sempre foi assim. Sempre vai ser.
Sendo assim, o público que ligou a TV por causa da F1 foi, na prática:
- GP da Austrália: 6,34 − 3,5 = ~2,8 pontos incrementais (ou o que eu chamo de audiência qualificada)
- GP do Japão: 5,3 − 3,5 = ~1,8 ponto incremental (ou o que eu chamo de audiência qualificada)
Sabe o que a Band marcava nas mesmas corridas em 2025? 1,8 ponto de média.
Traduzindo: o fã de F1 que liga a TV para assistir à corrida é praticamente o mesmo de sempre. O que mudou foi o piso da emissora — não o interesse pelo esporte.
Eu te pergunto: Quantos aeroportos, rodoaviárias, bares, hospitais e outros espalhados pelo país costumam deixar a TV ligada na Globo o dia e a noite inteira? Isso é audiência qualificada? Com certeza não!
E a Band? E o Sérgio Maurício?

Por mais que a Globo tenha mais estrutura e mais alcance, quem acompanhou a F1 na Band sabe que aquela transmissão tinha algo que dinheiro não compra: alma.
O Sérgio Maurício narrava como quem realmente amava aquilo. Conhecia a história, sentia a corrida, gritava nos momentos certos. Tinha erro? Tinha. Mas era humano. Era real. Era o tipo de narração que faz você torcer junto, mesmo às 4 da manhã.
Quando tinha algo com que não concordava — uma regra, uma decisão dos diretores de prova — ele falava abertamente, e o assunto era bem discutido de forma respeitosa entre a equipe.
Agora a F1 voltou para a maior emissora do país, com mais câmeras, mais recursos e mais dinheiro. E tudo voltou a ser quase tão engessado como antes.
Mas saudade não paga conta. E os números, por mais frios que sejam, não mentem.
O público adicional — a chamada audiência qualificada — que a categoria trouxe à Globo é quase idêntico ao que a Band já entregava por conta própria. Isso diz muito sobre o produto. A audiência que tanto falam que aumentou, na verdade, continua a mesma de sempre.
A Audiência da F1 de 2026: Mas e a Europa? E os circuitos?

Aqui a história fica mais complexa, porque os números de público presencial nos circuitos contam uma história diferente.
No GP da Austrália, 483.934 pessoas compareceram ao Albert Park ao longo do fim de semana — um recorde histórico para Melbourne, com crescimento de quase 20.000 pessoas em relação a 2025, que teve 465.498 presentes.
No GP do Japão em Suzuka, foram 315.000 torcedores nos três dias de evento — o maior público desde 2006, com crescimento de 49.000 pessoas (+18%) em relação às 266.000 de 2025. E isso sem nenhum piloto japonês no grid, já que Yuki Tsunoda perdeu o assento.
Ou seja: as arquibancadas estão cheias. As pessoas estão indo aos circuitos.
Mas a audiência televisiva? Essa conta não fecha do mesmo jeito.
A Europa viu a queda
Na Espanha, a DAZN registrou apenas 63.000 espectadores no GP do Japão — contra 124.000 em 2025. Uma queda de quase 50%. Na França, o Canal+ caiu de 705.000 para 404.000 espectadores: -43%. Na Alemanha, a retração foi de 21%, e uma pesquisa apontou que 74% dos fãs alemães exigem mudanças imediatas no regulamento.
Só a Itália nadou contra a corrente: +31% de audiência, puxada pelo jovem Kimi Antonelli liderando o campeonato e pela Ferrari competitiva.
O padrão é claro: onde há um piloto local brigando na frente, o público aparece. Onde não há, some. Isso levou a Liberty Media a anunciar revisões no regulamento ainda em abril, durante a pausa no calendário.
A Audiência da F1 de 2026: O novo regulamento que prometeu o mundo

2026 foi vendido como uma revolução completa. Carros mais leves, motor híbrido de última geração, mais ultrapassagens, mais equilíbrio.
A promessa era de uma Fórmula 1 mais emocionante do que nunca — e Gabriel Bortoleto competitivo na Audi era o tempero brasileiro que faltava para acender o país.
O resultado nas três primeiras corridas? Pilotos relatando que precisam aliviar o acelerador nas retas ou frear antecipadamente para recarregar a bateria — algo que vai contra tudo que a categoria sempre representou. Charles Leclerc exigindo mudanças na classificação antes do terceiro GP. A FIA remendando regras às pressas em Suzuka como se o campeonato já estivesse fora de controle. E os torcedores perdendo a paciência.
A questão não é mais para “eu avisei” do que “torcer para dar errado” como os respeitados Luciano Burti e Felipe Giafonni mencionaram durante as transmissões!
Tudo está dando errado na F1 esse ano, a questão é: O que será necessário acontecer para fazerem alguma coisa?
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Fontes:
Lance!: “Com volta da F1, Globo bate audiência milionária e recorde no Japão”
F1Mania: “F1: Audiência da Globo cresce e atinge 27 milhões em 2026”
Motorsport.com (UOL): “Globo alcança quase 27 milhões de pessoas com transmissões da F1 durante etapas da madrugada”
RD1: “Após crescer 296% na audiência, Fórmula 1 perde lugar na Globo”
Threads / Grande Prêmio: “Globo divulgou dados de audiência das primeiras etapas da F1 2026!”