A McLaren testou superclipping a 350 kW no Bahrein e abriu debate sobre um possível plano B da FIA para evitar corridas artificiais em 2026. E o mais importante: O que é Superclipping?
Durante os testes no Bahrein, a McLaren revelou ter testado algo além do esperado: o chamado superclipping no limite máximo de 350 kW.
A declaração de Andrea Stella não foi apenas técnica. Ela acendeu um alerta dentro do paddock.
Porque se as corridas de 2026 começarem com excesso de “lift and coast” e perda de velocidade em curvas rápidas, a FIA pode precisar agir.
O que é superclipping?
Superclipping é, basicamente, recuperar energia mesmo com o acelerador totalmente pressionado.
Ou seja, o piloto está com o pé no fundo, mas parte da potência não vai direto para as rodas. Uma fração dela é desviada para o sistema híbrido (MGU-K) e armazenada na bateria.
O resultado? Menor velocidade máxima.
Isso ficou claro nos dados comparando voltas de Oscar Piastri e Lando Norris. Os tempos eram praticamente iguais, mas os perfis de velocidade mudavam bastante.
Em alguns pontos da pista, a diferença chegou a cerca de 20 km/h.
Por que isso preocupa?

O regulamento de 2026 aumenta muito a dependência da energia elétrica.
Se o carro não recuperar energia suficiente nas freadas e zonas de baixa velocidade, o piloto pode ser obrigado a aliviar o acelerador antes do ponto ideal.
Isso gera uma pilotagem menos agressiva, menos natural e potencialmente menos empolgante para o fã.
Especialmente em pistas como o GP da Austrália, onde há menos zonas de frenagem pesada para recuperar carga.
A proposta: aumentar o limite para 350 kW
Hoje, o regulamento permite recuperar até 250 kW via superclipping. Andrea Stella defendeu permitir os 350 kW completos.
Na teoria, isso reduziria a necessidade de tirar o pé para economizar energia.
Mas na prática, a decisão é muito mais política do que técnica.
O problema político

Eficiência energética será um dos grandes diferenciais da nova era. Se uma equipe conseguir gerenciar melhor o uso da bateria, ela terá vantagem competitiva.
Alterar o limite pode:
– Reduzir essa diferença
– Ajudar equipes menos eficientes
– Tirar vantagem de quem fez melhor trabalho técnico
E é aqui que mora o conflito.
Nem todos vão querer abrir mão de vantagem.
A FIA quer esperar
Nikolas Tombazis já deixou claro que a entidade quer avaliar as primeiras corridas antes de agir.
Nada deve ser decidido entre Austrália e China.
A categoria quer ver:
– Como os carros se comportam em disputa real
– Se haverá excesso de gestão artificial
– Se o espetáculo fica comprometido
Se as corridas forem naturais, a discussão pode esfriar. Mas se os pilotos começarem a parecer mais engenheiros do que competidores…
Assim, o superclipping pode virar o botão de emergência da temporada!